Notícias da paróquia › 17/10/2014

Festa de São Paulo da Cruz – 2014

Mensagem do Superior Geral

Caros Irmãos, Irmãs e Amigos da Família Passionista.

San-Pablo-de-la-CruzUma saudação fraterna e uma bênção de paz nesta festa do nosso Fundador, São Paulo da Cruz. Por ocasião desta nossa festa, sinto-me impulsionado a refletir sobre o tema subjacente à inspiração que São Paulo da Cruz teve quando “viu” Maria, não “com os olhos do corpo embora eu estivesse
consciente e compreendesse que Ela estava presente”, vestida com aquele que se tornaria o hábito Passionista. Uma querida amiga sua, Rosa Calabresi, compartilha conosco aquilo que o próprio Paulo disse, descrevendo esta experiência:

“Um dia ele (Paulo da Cruz) me confidenciou: “Vi a Santíssima Virgem vestida de negro com o escudo sobre o seu peito, que é na verdade o mesmo que eu carrego e que os meus religiosos devem usar, a qual, com um amor que supera aquele de uma mãe, me disse: Filho meu, veja como estou vestida de luto?Isto é pela dolorosíssima Paixão de Jesus, o meu amado Filho. Você deverá se vestir assim e fundar uma Congregação cujos membros também se vestirão desde modo e farão constante luto pela Paixão e morte do meu querido Filho”.

Em um fragmento das Regras de 1720, o próprio Paulo escreve: “Saibam, caríssimos, que o motivo principal de andar vestidos de negro (segundo a inspiração especial que Deus me deu) é de sermos vestidos de luto pela Paixão e Morte de Jesus.”

Sinto-me impulsionado a refletir sobre este tema do “luto – ser afligidos” porque sinto que isto tem as suas implicações para nós, no nosso testemunho e missão. A minha preocupação não diz respeito tanto ao uso do hábito em si mesmo, ou à questão da cor (negro ou branco), que podem variar segundo o seu significado no interior das diferentes culturas.

Na sua experiência fundante, a Paulo é solicitada a fundação de uma Congregação cujos membros deveriam fazer constantemente luto pela Paixão e Morte de Jesus. Fazer luto, ser afligidos, é um fazer memória: é trazer à lembrança uma vez mais, é tornar presente e perceber a perda de alguém ou de alguma coisa, é fazer a experiência de uma profunda dor. Existem muitas pessoas e situações da vida pelas quais nos afligimos: por causa, per exemplo, da morte ou da partida de alquém à qual eramos muito próximos; pela perda de um trabalho ou de um apostolado, pela transferência para uma nova comunidade, pela venda da própria casa paterna, pelas vítimas de tragédias ou de desastres …

Como Passionistas, somos chamados a viver o luto pela Paixão e Morte de Jesus, mas não apenas daquela acontecida uma vez e para sempre naquele preciso momento histórico sobre o Calvário; mas também a provar profunda dor pela Paixão e Morte (Memoria Passionis) que continua nos nossos dias e na história de hoje: guerras e lutas, racismo e ódio, exploração dos recursos humanos e naturais, abusos de poder e de pessoas, rejeições e abandonos, pobreza e injustiça. Não precisamos olhar muito longe para conhecer a realidade destas situações no nosso mundo globalizado e em cada uma das nossas particulares sociedades e ambientes. Tudo isto acontece ao nosso redor.

Pablo_41bEntão eu me pergunto: Como nós passionistas fazemos luto (somos afligidos) por estas pessoas e situações, tanto aquelas mais próximas quanto aquelas mais distantes? Acreditamos que a nossa aflição será de apoio e dará esperança e conforto a essa gente? Estamos atentos ao vulto sofredor de Cristo que emerge nestas pessoas e situações de sofrimento? Estamos prontos a ser afligidos (a fazer o luto) com esperança, confiando totalmente em Deus que age com potência dentro da nossa impotência?

Celebrando a festa de São Paulo da Cruz, unamo-nos a ele no estar aos pés da Cruz de Jesus, junto com Maria, a Mãe de Jesus, que nos deu a missão de fazer luto pela Paixão e Morte de Jesus de ontem e de hoje. A nossa dor nos mova à compaixão a todas estas situações e a estar, com solidariedade, junto aos “crucificados de hoje” dando o nosso simples susporte com uma presença silenciosa que lhes proporcione conforto.
Como disse Jesus: “Bem-aventurados aqueles que são afligidos, porque serão consolados” (Mt 5, 4).

Sejamos conscientes de que a paixão de cristo continua neste mundo até a sua volta gloriosa. Portanto, compartilhemos as alegrias e as dores dos nossos contemporâneos enquanto caminhamos na vida ao encontro do pai.
Queremos compartilhar a angustia de todos, especialmente daqueles que são os pobres e esquecidos, busquemos oferecer-lhes o conforto e aliviar o peso de seu sofrimento.

Por intercessão de São Paulo da Cruz e com o sustento de Nossa Senhora das Dores, Deus conceda a todos vocês a graça de conhecer o seu amor e o seu conforto; que a Paixão de Jesus esteja sempre no coração de cada um de vocês.

Fraternalmente.
P. Joachim