Artigos › 25/10/2017

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Caros amigos, nossas reflexões lançam um olhar global sobre a participação conjunta da vocação religiosa e leiga na educação.

A unidade na diversidade, fator inquestionável na escola, nunca foi empecilho para propagação da Boa Notícia, pois a própria Igreja sempre foi entendida de modo orgânico (cfr. ICor 12). Entretanto, numa sociedade ao mesmo tempo global e diversificada, local e planetária, que hospeda diversos e contrastantes modos de interpretar o mundo e a vida, reconhecemos que os desafios para uma educação global são maiores.

“Neste contexto, torna-se particularmente urgente oferecer um percurso de formação escolar que não se limite à fruição individualista e instrumental de um serviço apenas em vista de um título que deve ser obtido. Além da aprendizagem dos conhecimentos, é necessário que os estudantes façam uma experiência de forte partilha com os educadores” (Cfr. Educar juntos na escola católica missão partilhada de pessoas consagradas e fiéis leigos, 2). Falamos de uma comunidade educativa, baseada na comunhão de vida que vem da fé em Cristo.

Se o papel da educação é o de formar o homem, um ser naturalmente social, esta tarefa só poderá acontecer num contexto relacional e comunitário. Não é por acaso que o primeiro e originário ambiente educativo é constituído pela comunidade natural da família.

Para esta visão de unidade na missão educativa encontra-se a opção dos fiéis leigos de viver esta tarefa como uma vocação pessoal na Igreja e não só como a prática de uma profissão, e a escolha das pessoas consagradas, porque são chamadas a viver os conselhos evangélicos e a levar o humanismo das bem-aventuranças ao campo da educação e da escola (Cfr. Idem, 6).

Somente ao reconhecermos a realidade da comunhão como um dom de Deus, poderemos de fato vivê-la e cultivá-la. Esta ideia também é importante para a instância da sociedade civil que quer eliminar o ensino religioso confessional e plural das escolas – apesar da decisão favorável do Supremo Tribunal Federal que “determinou, por seis votos a cinco, que as escolas públicas podem oferecer ensino religioso confessional, permitindo que as aulas sejam ministradas pelo representante de apenas uma determinada crença” (Jornal O Globo, 28/09/2017) – para servir a uma visão puramente material do homem, esquecendo-se que este também possui uma dimensão espiritual. É tarefa do Estado zelar pelo bem global do homem e não somente de seu aspecto produtivo e lucrativo.

Por Dom Edney Gouvêa Mattoso – Bispo de Nova Friburgo (RJ)