Artigos › 05/01/2017

Avaliar 2016

A passagem de um ano para outro é uma oportunidade que se oferece para parar, avaliar e compreender melhor o que aconteceu. Ela pode ser vivida como um rito de passagem, que por sinal é muito necessário e significativo na vida. Em sentido cronológico, o ano de 2016 foi igual para todas as pessoas, menos para aquelas que nasceram ou faleceram no seu decurso. Todos viveram o mesmo tempo cronológico contado em segundos, minutos, horas, dias, semanas e meses.

Em sentido de duração ou de vivência o ano foi único para cada pessoa. Para uns passou muito rápido, para outros foi demorado; para alguns será inesquecível pelas experiências boas ou pelo sofrimento, para outros foi simplesmente mais um ano. A influência dos fatos, das opções e decisões tomadas repercutiu diferente em cada um. Um fato significativo, mesmo que cronologicamente tenho demorado alguns minutos, pode ter sido vivido como se durasse horas. Poucos minutos podem ter dado um novo rumo para aquela pessoa.

A avaliação do ano procura os fatos significativos do mundo, do país, do estado, do município, do trabalho, da família, além de não esquecer uma sadia autoavaliação. Avaliar, falar dos outros e daquilo que é distante, em geral, é mais fácil do que avaliar a si mesmo. As minhas ações ou omissões e como elas influenciaram o meu ambiente, desde o familiar passando pelo profissional e comunitário. O meu modo de agir, os meus valores propõem qual sociedade? Ajudam a superar, ou ao menos diminuir, aquilo que reclamamos da sociedade?

É preciso destacar tanto aquilo que merece elogio, quanto o que é condenável. Afinal, a vida não é feita somente de extremos, nem tudo está cem por cento certo ou errado. Nem todas as ações foram realizadas com plena consciência ou premeditadas.

Parar e avaliar permite reviver os acontecimentos e a sua repercussão na vida. Certa distância dos fatos ajuda ir além das primeiras impressões e das conclusões emanadas em momentos de fortes emoções. Ajuda a ver além das aparências. Alguns acontecimentos são acidentes ou fenômenos naturais e, como tais, devem ser tratados. Mas, em geral, os fatos não são acidentais. Nascem das opções e decisões conscientes tomadas por pessoas.  Os fatos revelam o modo de pensar e compreender a vida, o ser humano, a natureza, Deus e o mundo. Revelam projetos de nações, de governos, de grupos econômicos, políticos, sociais ou religiosos. Os fatos não são fortuitos, mas consequências ou realizações de objetivos, claros ou velados.

Avaliar bem, ver com clareza o ano vivido, fazer um sincero exame de consciência para assumir a responsabilidade dos atos bons, dos atos errados e maus é uma necessidade para preparar e viver bem o amanhã. Ver bem para agir melhor.

Por Dom Rodolfo Luís Weber, Arcebispo de Passo Fundo